Retomando o nosso artigo
A Apple e o seu iPhone/iPad são um caso de sucesso que poucos poderiam prever. Apesar de a qualidade dos seus produtos ser inegável, creio que poucos (na altura eu incluia-me nesse lote) acreditavam que a empresa tivesse este sucesso.
Efectivamente dado o domínio da Nokia, seria de prever uma resposta radical por parte dessa empresa, o que não aconteceu.
Mas a maior surpresa acabou por ser o facto de os produtos Apple, sejam eles os iPhones, os iPods ou os iPads, se terem tornado uma força de peso no tocante aos jogos para dispositivos portáteis. Num mercado dominado pelo Symbian no caso dos telefones e pela Nintendo e Sony no caso das consolas, parecia que a Apple era um intruso que não teria nunca grandes hipoteses de alguma vez crescer ao nível que cresceu.
Mas a Apple fez-se impor no mercado dos telefones eclipsando a Nokia e tornou-se uma concorrente de peso às consolas ao apresentar tremendas inovações na qualidade e forma como os jogos são comercializados.
Nintendo e Sony habituaram os jogadores a pagar preços elevados pelos jogos para portáteis, entre os 30 aos 50 euros (por vezes mesmo mais), mas a Apple comecou a comercializar jogos de grande qualidade a preços super reduzidos, entre os 79 centimos e os 6 euros, dependendo da qualidade dos mesmos.
Mas a Apple incluiu outras novidades. Downloads sempre disponíveis e com jogos que podiam ser gratuitos ou pagos, mas onde mesmo os pagos podiam aparecer gratuitos durante certos periodos de tempo, e mesmo assim manter todas as caracteristicas das versões pagas. Ou então o seu custo poderia ser reduzido ou mesmo eliminado acrescentando publicidade.
Mas mais ainda, a compra de um produto passava a incluir todas as futuras actualizações para o mesmo, mesmo que tal implicasse o acréscimo de caracteristicas até então não existentes, sem que fosse preciso pagar qualquer custo adicional.
E a realidade é que com o tempo, apesar dos menores preços, os jogos para os terminais Apple começaram a apresentar qualidade ao nível daquilo que encontramos a preços várias vezes superiores nas consolas.
Significou isto que a Apple ou os produtores ganhavam menos dinheiro? Claro que não! O decréscimo do custo implicou um grande aumento no volume de vendas, agradando assim clientes, produtores e… claro, a Apple.
E a realidade é que pelo preço de um único jogo de consolas era possível adquirir-se vários na App Store. Diga-se mesmo que poderiamos passar os 50 jogos pagos na App Store pelo preço de um único nas consolas. Há porém aqui que fazer a resalva que a App Store inclui jogos de altissima qualidade gratuitos, coisa inexistente nas consolas, pelo que a comparação de cima, apesar de favorável à Apple, até acaba por lhe ser injusta.

E mesmo que haja diferenças entre os jogos será que a versão consola justifica a diferença de custo? Não serão tudo jogos que melhores ou piores acabam por servir o seu objectivo máximo de entreter?
Recentemente Reggie Fils-Aime o responsável máximo pela Nintendo USA mostrou-se descontente com a Apple for aquilo que ele refere como “habituação dos jogadores a preços baixos dos jogos“.
Naturalmente que um jogador habituado a pagar 1 euro por um jogo no iPhone dificilmente compreende que tenha de pagar 30 ou mais euros para um jogo na DS, em particular porque os jogos da versão DS não recebem actalizações e acréscimo de caracteristicas a custo zero.
Mas mais ainda, quando um jogo para uma PS3 a ocupar 50 GB de um Blu-ray custa 60 euros, como justificar que um jogo que ocupa entre 32 megas e 512 megas numa DS custe 40?
Recentemente vimos lançamentos de jogos para o iPhone/iPod/iPad, como RAGE e Dead Space, com extraordinária qualidade gráfica a serem vendidos a custos que são uma fracção do custo de jogos para a DS, e sendo tecnicamente superiores ao que os jogos para essa consola pode oferecer (felizmente essa situação é transitória para a Nintendo dado o lançamento da 3DS em Março).
A verdade é que a Nintendo parece agora muito “abalada” com a penetração dos produtos Apple no mercado dos jogos para dispositivos portáteis, apesar de ter referido que esses produtos não são motivo de preocupação para a empresa.
Mas pelos vistos não é só o Bloco de Esquerda Portugues que muda de opinião muito rapidamente.

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Parece que a Nintendo, pelo menos esse tal Reggie Fils-Aime, não convive muito bem com uma ideia chamada mercado livre. Ou livre concorrência.
Quando aparece alguma empresa a praticar preços muito mais baixos que o normal, há sempre quem a acuse de “estragar” o mercado. Mas se essa empresa consegue sobreviver dessa forma (ou no caso da Apple com lucros brutais) os outros têm é que calar a boca, observar, aprender e adaptar-se. Geralmente isso até resulta no crescimento do tamanho do mercado, e ficam todos a ganhar.
Isto faz-me lembrar há uns tempos uns responsáveis de editoras de jogos a queixaram-se do mercado de jogos usados, o que é igualmente ridículo. Eles acham que esse mercado secundário lhes “rouba” vendas. Dizem que não ganham nada com as vendas de usados, e que ainda por cima representam concorrência às suas edições mais baratas de jogos antigos. E não deixam de ter alguma razão nisso… Mas esse mercado secundário é uma forma dos jogadores arranjarem dinheiro para comprarem os jogos novos a 50-70€! É algo que acaba por ajudar o mercado primário! A possibilidade de vender um jogo até é algo que lhe dá valor para o consumidor. Até pq pode não gostar mt do jogo, mas ao menos pode vendê-lo e recuperar algum do dinheiro investido.
Imagine-se se alguém na indústria automóvel se queixava da venda de usados, e até sugeria que fosse proibida, por fazer concorrência aos modelos mais baratos. Era a risota geral. Se a coisa avançasse, quer por meios técnicos ou legais, iam ter uma revolta dos consumidores! E seria um tiro no pé, pois iam vender menos carros novos!
“Parece que a Nintendo, pelo menos esse tal Reggie Fils-Aime, não convive muito bem com uma ideia chamada mercado livre. Ou livre concorrência.”
Uma das regras da Nintendo é remover a concorrência onde for necessário.
Para Nintendo, ter concorrência direta sempre é um mal para a indústria.
A Nintendo remove sua concorrência ao comprar marketshare.
Sean Malstrom, o blogueiro porta-voz da estratégia do Oceano Azul recentemente escreveu um texto opinando que é um erro tentar afastar a concorrência direta.
Para ele, a Nintendo investiria seu tempo em combater o desinteresse que as massas têm pelos videogames e games em geral.
=)
http://seanmalstrom.wordpress.com/2010/12/22/making-the-competiton-go-away/
Correção: “…a Nintendo investiria melhor seu tempo ao combater…”
Matheus, remover a concorrência não é uma questão de querer! Nos dias que correm com a crise que se instalou na Europa o custo começa a ter um grande peso para o consumidor. E quando este consegue produtos de grande qualidade a um custo extremamente inferior há que temer. E a Apple nesse campo actualmente não tem concorrência.