Retomando o nosso artigo
Não, não vou fazer nenhum comentário sobre os vencedores, ou vencidos, nas eleições de ontem. Isso fugira, ainda mais, aos temas habituais da PCManias.
Mas não resisto porém a fazer um pequeno comentário sobre a relação entre o número de votos, com o número de deputados eleitos por cada partido. Já tinha lido algo na semana passada sobre as distorções e injustiças provocadas pelo sistema de círculos eleitorais que vigora em Portugal. Mas só ao ver os resultados oficiais das eleições de ontem, é que me apercebi da injustiça da situação.
Vejamos: votaram ontem 5 554 002 pessoas, e com este total de votos foram atribuídos 226 lugares no Parlamento (faltam outros 4 decididos pelos eleitores no estrangeiro).
Ora isto dá, se tudo fosse devidamente proporcional, 24575 votos por cada lugar na Assembleia da Republica. Mas não é. Não são os totais nacionais que interessam. São as votações em cada círculo eleitoral (distrito) que contam. E isso distorce as coisas.
Na prática, o PSD elegeu cada um dos seus 105 deputados com uma média de 20433 votos cada um (total de 2 145 452). O PS elege cada deputado com 21 340 votos.
Já os partidos mais pequenos acabam por ser “roubados”. O CDS-PP e CDU já precisam de mais de 27mil votos para eleger cada deputado. E o Bloco de Esquerda… 36mil!
E depois, ainda faltam os outros. O PCTP/MRPP que recebeu 62 491 votos. Devia dar, fossem as coisas proporcionais, para 2 deputados. E ficou com…. NENHUM. Não tenho qualquer simpatia pelo Garcia Pereira, nem pelas palhaçadas que andou a fazer nos tribunais a exigir debates que depois recusou fazer. Antes pelo contrário. Mas com 62 mil votos ele devia com toda a justiça ir para a Assembleia da República.
Mesma coisa com o PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza) que teve 57 634 votos e também deveria ter 2 deputados.
Ora, tantas vezes se apela (e muito bem, a meu ver) ao dever cívico de votar, e se lamenta a enorme abstenção, e aqui estão 100 mil portugueses que de facto se deram ao trabalho de ir às urnas e colocar a cruzinha no partido da sua preferência, não conseguindo porém eleger nenhum deputado. Tudo por estarem dispersos por círculos eleitorais onde a matemática eleitoral só permite eleger deputados dos partidos “grandes”.
Quem representa estes 100 mil portugueses que cumpriram com o seu dever e fizeram a sua escolha? Ninguém! Que raio de democracia representativa temos nós???
É urgente rever o sistema eleitoral português. Mas será difícil fazê-lo sem o apoio do PS e PSD, que são os maiores beneficiados. Poder-se-á dizer também que facilita a obtenção de maiorias absolutas, e portanto maior estabilidade governativa.
Mas se tal for o objectivo, vai-se para um sistema similar ao americano. Criam-se círculos eleitorais de 50 mil eleitores. Bem divididos, dificilmente algum elegeria um deputado de outro partido que não PS ou PSD… e um deles teria sempre maioria absoluta.
A escolha é entre um sistema mais bi-partidário ou mais pluripartidário. Será que queremos garantir a estabilidade com maiorias absolutas praticamente garantidas, ou queremos diversidade e maior representatividade efectiva das vontades dos cidadãos?
Será justo que o voto de alguém que vota no PSD ou PS valha mais do que outro eleitor que vote no BE? Será justo que o voto no PCTP/MRPP não valha nada? Será justo 100 mil portugueses terem votado e a sua vontade não ser representada por ninguém?
Não me parece…













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Nunca tinha visto as coisas assim… Aqui está uma excelente perspectiva, até porque 100 mil portugueses são uma percentagem que não deveria ser ignorada.
votos no psd: 2,1 milhões
votos no ps: 1,6 milhões
não votaram: 3,9 milhões
eleitores: 9,4 milhões
E depois ainda há aqueles (presidente da república) que dizem que os que votam em branco ou que não votam não têm «voto» na matéria, infelizmente neste país na prática até é isso que acontece pois esses votos só contam para a estatística mas qualquer cidadão que prese a sua inteligência deve saber que votar em branco ou não votar é igualmente uma forma de exprimir a sua opinião pois ninguém é obrigado a votar muito menos nas opções disponíveis.
Se querem ser governante de uma política anarquistas ou fascista que mudem de nacionalidade e país pois o meu voto não têm!
Desejo melhor vida para todos aqueles que fazem por merecer.
Sinceramente não consigo, por muito que me esforce, compreender o facto de muitas pessoas optarem por não irem votar.
Eu vejo 3 opções numa votação:
1ª - Uma escolha - A pessoa informa o país da sua decisão sobre quais os governantes que pretende das listas apresentadas. É uma decisão ponderada e sensata, sendo escolhido entre os candidatos aquele que mais garantias lhe oferece. Toma-se assim uma posição face à situação do país e da governação, aceitando-se porém que, democracia assim o obriga, o nosso voto seja apenas um entre vários milhões, e como tal de um valor baixo. Seja como for, um voto pode ser decisivo, e dessa forma toma-se a decisão consciente de participar nas decisões importantes do país, algo que todos deveriam fazer.
2ª - Voto nulo ou em branco - Não há grande diferença entre os dois tipos de voto. No fundo aplica-se as mesmíssimas considerações de cima, com a diferença que nesta caso quem vota acha que nenhum dos candidatos lhe merece a confiança necessária para levar o seu voto. É uma situação que pode acontecer, mas a pessoa não deixa de demonstrar esse facto, continuando a participar no acto democrático da eleição. Quem vota assim, terá contudo de ter a noção que fica dependente da decisão de terceiros.
3ª - Não voto - O desrespeito total pelo acto democrático. Quem não vota demonstra que não só não se interessa minimamente pelo que se passa, como também está de forma clara a deixa a lixar-se para quem vai para lá, deixando a decisão sobre os ombros dos outros. É uma posição caricata ao extremo uma vez que vai ter de aceitar as escolhas de terceiros e nada resolve com a situação. Neste caso, dadas as dificuldades do país, terá mesmo de acatar as decisões do vencedor mesmo que estas não lhe agradem sem ter verdadeiramente qualquer tipo de moralidade para criticar. Afinal se não quis saber quem ia para lá porque motivo haveria de ter razões para criticar?
É por esse motivo que eu defendo que as pessoas deverão sempre votar de forma válida. Agradando mais ou menos, cada um deverá escolher o candidato que mais garantias lhe oferece, mesmo que essas sejam quase nulas. Mas independentemente desse facto há que participar do acto democrático. Afinal Portugal é dos Portugueses e deverão ser todos eles a decidir por votação democrática o seu futuro.