Os motivos porque, para a PS5, a Sony apenas exige SSDs externos de 5.5 GB e porque motivo um SSD de menor velocidade até pode funcionar.

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A Sony tinha referido que os SSDs precisavam de ser mais rápidos que os da PS5 devido às prioridades suportadas pelo seu SSD, mas acabou por pedir apenas 5.5 GB/s ou seja, tanto como o SSD interno da consola. E segundo quem tentou com SSDs mais lentos, eles funcionam até muito bem com diferenças de apenas 1s nas cargas. Porque motivo tudo isto acontece?

Durante a apresentação “The Road to PS5”, a Sony referiu que a consola poderia sofrer expansões do seu SSD, usando SSDs standard de mercado. No entanto referiu que, dado o suporte a 6 níveis de prioridade no SSD interno da consola, algo que não é normal pois os SSDs, por norma, apenas suportam 2, o SSD a ser adquirido para expansão deveria possuir velocidade superior.

No entanto, agora que a Sony abriu a slot de expansão aos beta testers, vemos que os requisitos são discos com apenas 5.5 GB/s… porque motivo isso acontece?

A resposta a esta questão é muito simples:

O suporte a 6 canais de prioridade existente no SSD interno da consola não é algo normal. Como já foi referido, a maior parte dos SSDs suportam apenas 2 destes canais. No entanto, o suporte a mais canais tem impacto diferente nos diversos SSDs do mercado, uma vez que tal depende do controlador usado, se o SSD usa caches ou não, do número de IOPS ou Input operations per second suportados, etc..



Basicamente o que acontece é que não podemos, de forma alguma, dizer que um SSD de um terceiro com uma velocidade de 5.5 GB/s não se consegue comportar da mesma forma que o SSD da PS5 quando submetido a até 6 níveis de prioridade. Isto pode acontecer… ou pode não acontecer!

Para além do mais, apesar de ser quase certo que a Sony irá criar jogos que tirem o máximo partida desta potencialidade da consola, o mesmo não pode ser dito dos jogos de terceiros, que ao serem multi plataforma sentem a necessidade de nivelar a coisa por baixo, de forma a garantir a paridade entre os produtos do mercado.

Mais ainda, pode acontecer ainda o caso de um disco mais rápido até se comportar pior que um de apenas 5.5 GB/s. Como referido, sendo discos de terceiros, o seu comportamento pode variar, e o SSD pode sofrer mais ou menos com as prioridades.

Resumidamente, estamos aqui perante uma situação em que não só não teremos todos os jogos a suportar a característica, como ela a ser suportada, dependendo de vários fatores, pode ter um impacto no SSD que não seja diferente do existente internamente na consola.  E por estes dois motivos, excluir os SSDs de 5.5 GB/s não seria coerente!

Desta forma o que a Sony optou por fazer foi suportar os discos com 5.5 GB/s ou mais, deixando uma nota de rodapé onde refere que mesmo discos mais rápidos podem não conseguir alcançar a performance do SSD interno, e que nesse caso os jogos necessitarão de ser copiados para lá, de forma a poderem ser jogados.

Caso não houvesse o disco interno, a situação poderia ser problemática, e a Sony poderia ter de analisar todos os discos do mercado para verificar um a um quais os que podem ser usados na consola ou não. Mas com ele, a situação simplifica-se. Um disco de 5.5 GB/s pode chegar ou não, assim como um de 7 GB/s pode chegar ou não. Para a maior parte dos casos, ambos chegarão… nos casos onde não chegarem, ter-se-à de mover o jogo para o SSD interno.



Será de se notar que ao mesmo tempo que a Sony revela esta lista, o MArk Cerny deu a conhecer a sua escolha: Um WesternDigital SN850, um disco com uma taxa de transferência de 7 GB/s. Isto foi realizado no Twitter, sem ligação oficial à marca, o que implica que a Sony dá uma recomendação, mas não de forma oficial, não podendo assim ser acusada de favorecer fabricantes. E nesse sentido, esse é o SSD que se recomenda!

Mas e como se explica que hajam pessoas que testaram SSDs mais lentos que 5.5 GB/s e digam que eles são perfeitamente funcionais, com diferenças de apenas 1s no tempo de carga?

Bem, aqui a explicação é outra.

Naturalmente que um SSD de 7 GB/s lê mais que um de 6, ou um 5.5 ou um de 4.9 GB/s. E isso, para as mesmas condições de leitura (mesmo código e mesmo hardware), traduz-se no tempo de loading. Desta forma, um disco de 7 GB pode ler 1s mais rápido, e um disco de 4.9 GB/s pode ler 1s mais lento. E isto pouca ou nenhuma diferença faz!

Mas isso é com o software atual. Recorde-se que estamos meros meses após o lançamento das consolas. Todos os jogos que sairam até agora, incluindo os mais “Next Gen” como Ratchet and Clank, começaram desenvolvimento numa PS4. Neste momento não há um único jogo concebido de raiz para a PS5, e desenvolvido a pensar no hardware final da PS5. Isso será algo que só veremos mais perto do final da geração.



E nesse sentido aquilo que vemos agora de diferença… é o tempo de carga! Com diferenças de mero segundo para a frente ou para trás!

Mas quando aparecerem jogos a tirarem partido dos níveis de prioridade… a coisa fica diferente. Os niveis de prioridade aparecem quando o SSD está saturado! É nessa altura que os níveis de prioridade se notam, ao meterem à frente aquilo que realmente é mais preciso. Sem o SSD saturado, não há níveis de prioridade, basicamente vai-se ler mais, e entrega-se!

E nessas alturas é que se irá separar o trigo do joio. Se um SSD de 7 GB pode não conseguir acompanhar o da PS5, os que forem abaixo das especificações, esses muito menos conseguem. E a situação pode dar azo a desincronismos ou mesmo crashes. Naturalmente que funcionar com um disco mais lento, a PS5 funciona! Um PC tambem funciona com um disco ou com um SSD. Depois é tudo uma questão de se esperar mais ou menos pelos dados. A questão é que os níveis de prioridade foram criados para garantir que a informação é entregue em tempo útil, sem pausas, sem engasgos, e de forma fluida. Sem um disco que cumpra com as especificações, isso não poderá acontecer, e se a Sony não consegue garantir que discos mais rápidos estejam à altura, o certo é que discos mais lentos, nessa altura, garantidamente não estarão.

Daí que estes discos funcionarem é uma mera questão de curiosidade. De forma alguma se pode recomendar um disco abaixo das especificações mínimas recomendas. E pela nossa parte recomendamos exatamente a escolha de Mark Cerny.

 





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Carlos Zidane
Carlos Zidane
1 mês atrás
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Boa explicação Mário. Melhor ficar de olho no que o Mark Cerny diz, afinal, o filho é dele.

Vitor hugo Reale Pereira
Vitor hugo Reale Pereira
1 mês atrás

Mario sei do seu nível de conhecimento na área de tecnologia e gostaria se possível, que me explicasse como a arquitetura de um console funciona, pois, conseguem ter mas desenpenho que hardwares dedicados com poder similar? Afinal APU não deveriam mostrar desempenhos bem inferiores?

nETTo
nETTo
Responder a  Vitor hugo Reale Pereira
1 mês atrás

API de baixo nível e talento

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