Retomando o nosso artigo

O que pudemos verificar foi que a adesão aos filmes em formato UMD foi quase nula, ao ponto de os revendedores se recusarem a gastar espaço nas prateleiras para armazenar um produto que não tinha saida. De seguida os produtores começaram a anunciar o abandono do suporte UMD, sendo que o suporte actualmente pode ser considerado como morto.
No entanto a PSP possuia e possui os seus pontos fortes, nomeadamente a sua capacidade gráfica e de processamento, mas que rapidamente são esquecidos quando associados ao formato UMD que se revela um consumidor extremo da bateria que já de si não tem grande capacidade, ao ponto de a mesma durar entre 2 a 3 horas consoante o uso e o desgaste que já possui. Os jogos mantem a consola, mas por quanto tempo?
Apesar do seu poderio tecnológico esmagador face à concorrência, a PSP nunca conseguiu impor-se no mercado perdendo claramente para a Nintendo DS (a consola mais vendida do mundo), que comparativamente, a nível técnico, se revela bastante inferior. Mas a DS possui aquilo que a PSP não possui, isto é… EXCELENTES JOGOS que justificam a compra da consola e o factor diversão único da Nintendo que pelos mesmos motivos torna a Wii a consola fixa mais vendida actualmente a nível mundial.
Não se pode negar que há na PSP jogos muito bons! Há mesmo alguns jogos excelentes (note-se as letras minusculas)! No entanto faltam à consola aqueles jogos que só por si justificam a compra da mesma. É minha opinião que ist o se deve aos developers não desenvolverem para a PSP, pensando nas suas capacidades e limitações, mas desenvolverem para a PS2 fazendo, posteriormente, uma versão mais reduzida para a PSP. Aliás os melhores jogos PSP são exactamente aqueles que não sofreram desse problema, tendo sido desenvolvidos especificamente para a consola e a pensar nas limitações e caracteristicas da mesma.
Seja como for, a realidade é que os chamados “third party developers”, isto é todos aqueles que desenvolvem para a consola que não a Sony estão notóriamente a abandonar o formato. Em 2006 apareceram na PSP 153 jogos desenvolvidos por este tipo de produtores, sendo que o número desceu 17% em 2007 para 127 jogos. Considerando já todos os lançamentos até final do ano vemos que o número desceu ainda mais em 2008 para apenas 78 jogos. Uma quebra de quase 50% no número de jogos lançados (Note-se que é ainda impossivel saber quantos destes jogos poderão não chegar a sair, bem como poderá haver algumas surpresas com lançamentos não anunciados na playstation store).
Incrivelmente a Ready at Dawn, que desenvolveu o GOD OF WAR: Chains of Olympus, um dos melhores jogos de sempre para a PSP e um best seller na consola, foi uma das empresas que já anunciou oficialmente o abandono do suporte à mesma, o que ajudará futuramente a descer o numero de exclusivos para a PSP, que já tinha descido de 41,67% para 26,32% em 2008.
Poderá isto significar que a PSP está a morrer? A Sony não pretende isso, tenco inclusive lançado recentemente um novo modelo, e se vimos o suporte da marca à consola descer de 18 titulos em 2005 para 16 em 2006, 7 em 2007, em 2008 o número subiu para 13. Seja como for a PSP perdeu 75 jogos num ano e esse é um facto.
OS motivos poderão ser explicados pelo alto nível de pirataria existente. Vejamos um caso concreto:
Actualmente considera-se que um jogo é bem sucedido quando vende mais de 1 milhão de unidades. Não quer isto dizer que com menos não haja lucros (500 mil será já lucrativo dependendo dos custos de desenvolvimento), mas 1 milhão garante já altos lucros ao ponto de se poder dizer que o desenvolvimento valeu a pena.
Grand Theft Auto: Liberty City Stories é um dos jogos que nunca foi oferecido com a consola e que melhores vendas consegiu, tendo alcançado 1.7 milhões de unidades vendidas num ano, em território americano.
Já a sequela, Vice City Stories, com várias melhorias, apenas conseguiu vender 700.000 unidades num ano, no mesmo território.
Vistos de forma individualizada parece estarmos a falar de bons números em ambos os casos, mas em conjunto apercebemos-nos do desastre. Como é que um franchising de maior sucesso de sempre como o GTA perde quase 60% de vendas de uma versão para a outra? E como se justifica isto quando em todas as outras consolas as vendas crescem a cada novo lançamento de jogos desta série?
O Vice City vendeu mais do que o GTA III. O San Andreas vendeu mais do que o Vice City, e mesmo o GTA IV, lançado para as novas consolas e com uma base de potenciais compradores muito inferior está prestes a passar o San Andreas.
No entanto, na PSP, e apesar de o jogo ter sofrido uma redução de preço para ajudar as vendas, o Vice City Stories não conseguiu passar ou sequer aproximar-se dos valores do seu antecessor.
Surge então a pergunta natural: “Se um jogo como o GTA não se consegue manter neste mercado, que hipoteses tem o meu jogo mais mediano de se aguentar?”
Esta questão alia-se a outra: “Porque motivo descem as vendas do software se as vendas do hardware continuam a aumentar?”
A pirataria pode ser um dos motivos, mas a proliferação de consolas pode ser outro. Tendo as pessoas mais do que uma consola apenas comprarão jogos para uma delas, e como tal a mais fraca sofrerá. Só que esta teoria cai por terra face à DS, onde as vendas dos jogos continuam de vento em popa!













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