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Retomando o nosso artigo

A PS3 aguentou-se valentemente à pirataria. Não graças à sua segurança que, como se veio a saber, não era grande coisa, mas sim devido ao facto de a Sony ter permitido a implementação do OtherOS, e que permitia a instalação do Linux. Foi com a remoção desta característica das consolas que os Hackers se chatearam com a Sony e hackaram a consola, que está agora completamente aberta em todas as versões.

Mas, apesar de só daqui a uns tempos aparecerem os softwares que abrirão a consola (seja ele dias, semanas ou meses), o que muda efectivamente com isso?

Aumento das vendas do Hardware

Naturalmente que uma Playstation aberta se torna muito mais atractiva para o consumidor do que uma playstation fechada. A Pirataria do software, apesar de condenável, tem sérias consequências no aumento das vendas do hardware. Isto é um facto que pode ser analisado historicamente com a análise das vendas das consolas, mas que mesmo assim está sempre associado à existência de software de qualidade, pois sem ele, com pirataria ou não, a consola torna-se desinteressante.

Mas mesmo não entrando pela questão da pirataria há muitos atractivos adicionais que aparecem. A exploração devida das capacidades como media center é uma das características que irá ser explorada convenientemente. A PS3 é efectivamente uma consola interessante, potente e com capacidades ainda não exploradas nesse campo. Um bom software de media center tornará a consola mais atractiva e poderá inclusive atrair muitas mais pessoas a adquirir a mesma não só como leitor de Blu-Ray, mas como um media center com capacidades DLNA totalmente funcional.

Há depois a questão das retro-compatibilidades e emulações de outros sistemas, a situação que actualmente é mais explorada, e que torna a consola super atractiva. Deixará de haver a necessidade de se ir ao armário buscar as velhas consolas ou de se possuir a sala atolada de consolas antigas de que se gosta, possuindo-se apenas uma única consola que é capaz de executar todo o software de consolas antigas já descontinuadas, e acima de tudo capaz de oferecer a tão desejada compatibilidade com a PS2 que a Sony prometeu mas acabou por não cumprir.

Haverá decréscimo nas vendas de software?

Muito provavelmente sim. Existindo pirataria as vendas de software poderão descer, mas será que isso é um facto que podemos concluir à partida?

Vejamos a realidade da coisa

Online não disponível ou dificultado:

Um dos atractivos da Playstation 3 face à Xbox é o seu online gratuito. Apesar da Xbox 360 estar hackada desde à muito, e o online até ser possível, o risco de ver a sua consola definitivamente bloqueada ou a sua conta banida não é do interesse daqueles que fazem mais do que o esporádico jogo online. Todos aqueles que perdem horas, dias ou mesmo meses em jogos online não estão interessados no produto pirateado, mas sim no original onde apenas aí podem garantir que todo o seu esforço não se passa em vão.

Sabendo disto, os programadores optam por fazer o online cada vez mais essencial, e o verdadeiro núcleo do jogo. Repare-se no caso de Fifa, onde apesar de possuir um excelente single player, começa cada vez mais a ter no online uma componente de jogo essencial que quase se revela um jogo à parte.

Mas isto é para os jogos actuais, pois futuramente poderemos contar com as mesmas medidas de protecção do online que encontramos no PC, como por exemplo o uso de serial numbers. Isto se tal não passar a acontecer inclusive no single player com verificações de serials online antes de se poder jogar.

O tamanho dos jogos


Apesar de a Microsoft não se mostrar favorável ao mesmo, quer se queira, quer não, o Blu-Ray acaba por ser um grande dissuasor da pirataria. Os Torrents de DVD’s são actualmente banais, mas apesar de os filmes Blu-Ray serem comuns, Torrents de Blu-Rays não são uma realidade. Isto deve-se em parte ao facto de se poder obter um filme com qualidade muito semelhante em formato DIVX e com apenas uma fracção do tamanho original, mas nos jogos isso não será possível. E com jogos com dimensões entre os 20 GB e os 50 GB, os problemas acumulam-se. Para começar os Traffic Shappings podem acontecer mais facilmente por tal obrigar a muito tempo conectado. Depois a possibilidade de entidades como a Acapor ou outras recolherem os IP’s aumentam igualmente dado o maior tempo que se requer estar ligado. E ainda há a questão do armazemanento.

Um disco externo para a PS3 não é a solução. Não só não se consegue executar nada de lá, mas as portas USB 1.1 não são rápidas o suficiente para a transferência desejada. Resta então a solução do uso do disco interno, mas que mesmo esse se revela problemático, pois a 50GB por jogo, um disco de 1 TB apenas pode armazenar 20 jogos.

A gravação em Blu-Rays é a alternativa, mas mesmo com o software de gravação criado para que as cópias funcionassem na PS3, o custo de um gravador destes ronda os 250 euros, e isto sem falar no custo dos BD que ronda os 6 euros num disco de apenas 25 GB e que não se encontram facilmente dada a pouca procura.

Quer isto dizer que a cópia é possível, e irá acontecer, mas que ao contrário de outros sistemas, a mesma não será tão simples e tão barata, tornando assim as alternativas como a Xbox 360 a plataforma ideal para quem pretende jogar jogos pirateados.

O DRM.

Se até ao momento os jogos PS3 não trouxeram nenhuma protecção, isso vai-se alterar daqui para a frente. DRM’s diversos, controlos online, verificação do BD na drive, serial numbers, e mesmo acções de fiscalização em Torrents por parte da Sony passarão a ser uma realidade até aqui não existente.

Para além do mais, será muito provável que os produtores entrem no esquema do “update”, ou seja, o lançamento de versões de jogos com características em falta ou em falha, e que obrigam à instalação de um update devidamente controlado de forma a que quem usa esquemas de pirataria seja obrigado, caso queira corrigir a situação, a descarregar os 50 GB já actualizados de novo. Esta é uma situação que até ao momento existiu na PS3 apenas para o uso de updates necessários, mas que poderá futuramente ser usado pelos produtores para controlo de piratarias ou pelo menos desincentivo às mesmas.

Poderá ainda ser efectuado remotamente pela Sony algum tipo de análise à consola ao entrarmos em serviços online, e que poderão apagar remotamente jogos ou situações não legais existentes na consola, ou mesmo bloquear a mesma.

Ao não jogarem limpo com a Sony, nada obriga a Sony a que jogue limpo com quem alterou a consola. A Microsoft fez e faz o mesmo, apesar de não ser verdadeiramente eficaz nesse campo dado que a Xbox 360 está aberta à muito tempo e como tal já não possui segredos para os hackers. Mas a PS3 não é bem assim, e falta ver como a Sony irá reagir a toda esta situação.

Conclusões

A pirataria na PS3 será uma realidade, assim como o aumento das vendas da consola. Será contudo uma situação muito diferente de todas as outras pela maior dificuldade de obtenção e armazenamento dos seus jogos. Será ainda diferente pelo seu maior custo, e pelo facto de a consola até ao momento, por ter sido sempre um sistema fechado, não ter implementado nenhum tipo de DRM anti pirataria, pelo que a sua implementação poderá trazer dificuldades acrescidas não previstas aos piratas.

Na realidade o que irá acontecer só o futuro dirá, mas a existir algum impacto nas vendas será certamente no conteúdo exclusivo e onde se espera a tomada de grandes medidas de protecção com o uso de DRM, pois o resto torna-se mais simples e fácil nas consolas concorrentes que oferecem qualidade igual e métodos de pirataria muito mais avançados e simplificados. E com promoções extraordinárias como as que referimos aqui (no caso eram para PC, mas existem idênticas para consolas, basta procurar), a pirataria na PS3 não parece trazer tantas vantagens como em outros sistemas.

Acréscimo a 17/01/2010 com novos dados:

No texto de cima houve situações que não foram correctamente analisadas, e que, podemos agora ver, efectivamente alteram de forma radical o panorama da consola, podendo inclusive levar à morte da mesma. É que o hack da PS3 foi ao nível mais profundo que é possível atingir-se, ameaçando por isso quer o sistema de troféus, quer a segurança da PS3, quer a continuidade da PSN, e mesmo mais situações.

Apesar de o Jailbreak já existir à uns tempos, os Hacks existentes impediam o uso da PSN. Mas agora, a PS3 foi aberta de tal maneira que se torna quase impossível a defesa contra seja o que for. A sua situação alterou-se de tal forma que esta passou de a consola mais segura do mercado para a consola menos segura do mercado. Uma alteração super radical que poderá trazer consequências de morte à PS3.

Apesar de a PS3 não ser, como já referimos no outro artigo a consola mais desejada para a pirataria, os actuais hacks tornam-na ridiculamente fácil, e provavelmente poderão causar a ruína da PSN. Dado que com as chaves lançadas por George Hotz qualquer jogo pode ser “assinado” para passar por original, hackar o jogo para se conseguir todos os troféus e vantagens de um jogo, ou mesmo activar ou criar versões alteradas e com cheats será um passo menor, criando o caos na comunidade online.

E o pior é que dada a forma como as chaves foram obtidas e a forma como estão implementadas a Sony não deverá conseguir facilmente bloquear essas situações sem um acesso directo à consola onde pudesse efectuar a troca dos chips com as chaves. Mas isso traria um custo tal que se torna impraticável.

Quer isso dizer que a consola e toda a rede associada a ela estão agora susceptíveis a acessos indesejados e mesmo ataques. As consequências de tal são desastrosas, uma vez que poderão levar ao declínio total da rede e ao descrédito da PS3 como sistema de jogos.

Uma rede cheia de cheaters e onde o online não é leal não é do interesse de ninguem, e tal levará a que os jogadores abandonem a consola e os jogos se tornem menos atractivos, havendo declínio de vendas não só pela pirataria, mas também por esse motivo.

E o mais certo é que a Sony não consiga manter os hackers e os cheaters fora da PSN. Tal é possível na Xbox 360 ao banir-se a consola devido ao facto que a identificação da mesma está escrita de forma inalterável nos seus chips, mas os rumores é que tal não acontece da mesma forma ma PS3, e dependendo da forma como a Sony implementou essa identificação, poderá ser impossível de travar os acessos indesejados.

Seja como for, DRM’s e serial numbers serão o primeiro passo na defesa de jogos futuros, sendo porém que a SONY anunciou já medidas sérias de protecção à consola, mas que se desconhece se serão apenas bluff ou não.

Para começar irá lançar um novo firmware 3.60 de instalação obrigatória e que será o primeiro passo na sua acção de defesa. E anunciou desde já que passará a banir permanentemente (e quem sabe a bloquear consolas caso tal seja possível), todos os que forem apanhados com alterações não permitidas.

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